Triangulação
A técnica para perder um tempo com o rei — usar três jogadas para alcançar uma casa à qual o oponente chega em duas, e usar a jogada extra para forçar o oponente ao zugzwang.
A triangulação é a técnica pela qual um lado se concede uma jogada livre — um “tempo” — em uma posição em que as regras do xadrez normalmente o obrigam a mover quando quer esperar. O rei caminha pelo caminho longo para alcançar uma casa que poderia alcançar em duas jogadas, levando três em vez de duas, e ao chegar é a vez do adversário mover para uma posição perdida. O procedimento parece um desperdício de duas jogadas de rei; é, de fato, o uso mais econômico de três jogadas que a posição permite.
Por que perder um tempo importa
As regras do xadrez exigem que cada jogador mova em seu turno; ele não pode passar. Na maioria das posições isso não é problema. Em finais em que um lado ganha por oposição ou por zugzwang, a obrigação de mover pode ser fatal — o lado no turno é o lado perdendo, e o que o vencedor precisa é encontrar uma sequência que termine com o perdedor no turno.
A triangulação é a solução de cabeceira. O rei tem, na maioria das posições, várias rotas diferentes para o mesmo destino. A rota de duas casas leva duas jogadas. O desvio de três casas — sair, dar a volta, retornar à mesma linha — leva três. A diferença é uma jogada, e essa única jogada é precisamente o que o jogador precisa para inverter o zugzwang de si mesmo para o oponente.
O triângulo
Na posição do diagrama, os reis se enfrentam na coluna e com uma casa entre eles. Pela lógica da oposição, o lado no turno — as brancas — deve ceder. Se as brancas cedem livremente (Rd4, Rf4, Rd3, Rf3), o rei preto passa e a posição é perdida.
A solução é garantir que, quando os reis se enfrentarem de novo na coluna e, sejam as pretas no turno e não as brancas. Procedimento branco: 1.Rd4 Rf6 2.Rd5. Agora, se as pretas jogam 2…Re7, as brancas triangulam com 3.Re4 — levando três jogadas (d4, d5, e4) para alcançar uma casa à qual podiam chegar em duas — e as pretas, no turno, devem ceder. A oposição se inverteu.
As pretas estão agora no turno e em oposição direta. Para onde quer que se movam, o rei branco avança para tomar uma casa-chave. O peão em e5 — suponhamos que seja das pretas — está agora sobrecarregado, e as brancas o ganharão atacando a casa e5 com tempo de rei mais peças.
O próprio triângulo não tem que ir por essas casas específicas. O princípio é: encontre duas casas de rei equidistantes ao alvo, mas que exijam número diferente de jogadas para serem alcançadas. A rota longa é a rota de triangulação, e percorrê-la faz você perder a jogada que queria perder.
Triangulação na prática
A técnica aparece mais frequentemente em finais de rei e peão em que um lado tem uma dupla de peões ou um peão atrasado e o rei do outro lado tenta alcançar uma casa defensiva. O defensor quer oposição; o atacante quer passar a jogada ao defensor. A triangulação responde à pergunta de como fazer isso sem ceder terreno.
Também aparece em finais de bispos — particularmente em finais de bispos da mesma cor, em que o rei de um lado pode esperar enquanto o bispo cobre duas tarefas. A técnica é idêntica: o rei traça um triângulo de três casas enquanto o bispo fica estático, e o bispo adversário acaba sobrecarregado.
Um exemplo clássico: Capablanca contra Tartakower, Nova York 1924, o final de rei e peão após a jogada 35. O rei de Capablanca caminhou de f4 a e5 a e4 a f4 — um triângulo que deixou Tartakower no turno em uma posição em que seu rei tinha apenas uma jogada legal e essa jogada perdia. A partida foi decidida não por cálculo, mas por contagem.
A lição é geométrica e quase combinatória. Em qualquer final de rei e peão, o número de jogadas de rei que você pode gastar é fixo; o número de jogadas de rei que você tem que gastar antes que a posição se resolva é determinado pela geometria dos peões. A triangulação é a técnica para garantir que as jogadas que você deve gastar caiam no lado correto da paridade. Domine-a e você ganhará rotineiramente posições que jogadores menores empatam — e empatará posições que jogadores menores perdem.