Regra da peça tocada
Um jogador que toca deliberadamente uma das suas próprias peças, enquanto é a sua vez, deve mover essa peça se houver jogada legal; um jogador que toca deliberadamente uma peça do adversário deve capturá-la se houver captura legal disponível.
A regra da peça tocada é a principal regra de conduta no xadrez sobre o tabuleiro. Vincula o jogador às consequências de tocar fisicamente em uma peça: o jogador que toca em uma peça própria deve movê-la se houver jogada legal, e o jogador que toca em uma peça do adversário deve capturá-la se existir captura legal. A regra aplica-se mesmo que o jogador pretendesse apenas considerar a jogada, e mesmo que outra jogada fosse melhor. Existe para impedir o equivalente xadrezístico de retirar uma jogada — tocar uma peça, considerar as consequências, e então mudar de ideia.
A regra exata
A regra tem duas partes principais:
Tocar a sua própria peça. Se você toca deliberadamente em uma das suas peças enquanto é a sua vez, deve movê-la se existir jogada legal. Se não houver jogada legal para a peça tocada, você pode fazer qualquer jogada legal.
Tocar uma peça do adversário. Se você toca deliberadamente em uma das peças do adversário enquanto é a sua vez, deve capturá-la se existir captura legal. Se não houver captura legal, você pode fazer qualquer jogada legal.
Se você toca em uma peça e depois faz uma jogada que não a envolve (por exemplo, toca seu bispo em c4 e depois joga seu cavalo de f3 para e5), a regra é violada. O árbitro decide, normalmente exigindo que você mova a peça tocada. Na prática de torneio sério, violações repetidas podem levar à perda da partida ou outras sanções.
O que significa “deliberadamente”
A palavra “deliberadamente” é a mais importante da regra. O toque deve ser intencional. Um jogador que:
Ajusta uma peça (dizendo “componho” ou o francês j’adoube antes de tocá-la) — não viola a regra.
Derruba uma peça acidentalmente (uma manga, um escorregão, uma tentativa de capturar outra peça) — não viola a regra.
Roça uma peça ao alcançar outra — não viola a regra.
Um jogador que pega deliberadamente em uma peça, mesmo que brevemente, com a intenção de movê-la, acionou a regra. Se o toque foi deliberado é uma questão de fato para o árbitro; na maioria dos casos a declaração do próprio jogador é decisiva.
A exceção “j’adoube”
Para ajustar uma peça sem invocar a regra, o jogador diz j’adoube (francês para “ajusto”) antes de tocá-la. No xadrez de língua portuguesa “componho” ou “ajusto” também é aceito, mas j’adoube continua sendo o padrão internacional. O anúncio deve ser feito antes do toque; dizê-lo depois é tarde demais.
O ajuste só é permitido na sua própria vez e apenas com o propósito de colocar uma peça corretamente em sua casa — por exemplo, se uma peça ficou descentrada durante o jogo. O ajuste não é permitido para testar jogadas ou considerar alternativas.
A condição de “jogada completada”
Uma jogada é “completada” — e a questão da peça tocada resolvida — quando o jogador moveu uma peça para uma nova casa e a soltou. A liberação da peça é o momento crítico. Um jogador que ergueu uma peça mas ainda não a soltou pode mudar de ideia e recolocá-la; uma vez solta, a jogada é definitiva.
A isso às vezes chamam de “regra de soltar”: uma peça fica comprometida quando foi pega e solta em uma casa diferente. O roque envolve rei e torre; a jogada é completada apenas quando ambas as peças foram soltas em suas casas finais (e o rei deve ser movido primeiro segundo as regras FIDE).
Importância prática
No jogo de torneio a regra da peça tocada é aplicada estritamente. Um jogador que violar a regra e recusar-se a cumprir a decisão do árbitro perderá a partida. No jogo amigável ou de clube a regra às vezes é relaxada por acordo mútuo, mas a regra FIDE aplica-se por padrão em qualquer evento avaliado.
A regra tem sido parte central da etiqueta do xadrez desde fins do século XIX. É uma das regras mais frequentemente violadas por jogadores inexperientes em torneios, que inconscientemente apoiam um dedo em uma peça enquanto pensam e depois movem outra quando decidem. Os árbitros costumam advertir jogadores em seu primeiro evento sobre a aplicação estrita da regra.
Casos-limite
E se eu tocar em uma peça que não pode se mover? Se não houver jogada legal para a peça tocada, você fica livre para fazer qualquer jogada legal. A regra pune apenas “se existir jogada legal” — tocar uma peça pregada de tal modo que não possa se mover não te compromete.
E se eu tocar em duas peças ao mesmo tempo? A regra se aplica à primeira peça tocada. Se a primeira tem jogada legal, você deve movê-la; se não, a segunda pode reger.
E se eu tocar na minha própria peça e depois em uma do adversário? Você deve mover sua própria peça, capturando a peça do adversário se possível. Se uma captura da peça tocada do adversário com a peça tocada própria for legal, você deve fazer essa captura.
E se eu tocar deliberadamente em uma peça para limpar poeira ou ajustar a posição sem dizer “componho”? O árbitro pode considerar que o toque foi deliberado e exigir que você mova a peça. O anúncio “componho” é a forma segura de lidar com qualquer contato com uma peça.
E se ambos os jogadores concordarem privadamente em relaxar a regra para uma partida casual? A aplicação da regra depende do regulamento do evento. Em partidas avaliadas, a regra aplica-se independentemente do acordo entre os jogadores. Em partidas casuais, pode ser modificada por acordo mútuo.
A regra da peça tocada é uma das poucas regras do xadrez que dependem das ações físicas do jogador e não da posição no tabuleiro. É também uma das poucas que cria um forte incentivo externo ao comportamento cuidadoso — sua aplicação estrita leva os jogadores experientes a desenvolver uma forma deliberada e ponderada de manipular as peças, que por sua vez se torna parte da disciplina do xadrez de competição.