A Partida do Século
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Bobby Fischer tinha treze anos quando jogou esta partida contra Donald Byrne — um dos mestres americanos mais fortes do período e ex-campeão do US Open — no Marshall Chess Club, em outubro de 1956. A partida saiu na Chess Review no mês seguinte sob o título “A Partida do Século”. O nome pegou e resiste há 70 anos.
A combinação começa no lance 17. Fischer oferece a dama com 17…Be6! — um lance cuja verdadeira profundidade só fica clara quando as brancas aceitam a dama com 18.Bxb6. Fischer prossegue com uma série de xeques forçados de cavalo e bispo que costuram o rei branco e acumulam material decisivo. O mate chega no lance 41 com o modesto 41…Rc2#.
O que torna a partida extraordinária não é o sacrifício de dama em si — já havia sacrifícios de dama mais conhecidos registrados. É o cálculo sereno por trás dele: um garoto de treze anos enxergou a sequência inteira de 25 lances e decidiu jogá-la. A posição do lance 17 é uma das mais analisadas da literatura enxadrística; os motores modernos confirmam o cálculo de Fischer.
A posição após Bxb6
Após 18.Bxb6, Fischer joga 18…Bxc4+ 19.Kg1 Ne2+ 20.Kf1 Nxd4+ — o famoso “moinho” de xeques descobertos. O rei branco não tem como escapar; cada xeque ganha material. No lance 23 as peças brancas estão dispersas, o rei está exposto e o desfecho da partida já não está em dúvida.
Donald Byrne abandonou no lance 41, mas a posição estava decidida dezoito lances antes. A dama de Fischer não fora um sacrifício no sentido corrente; foi uma troca de material por uma combinação vencedora forçada. A partida é um texto fundamental da pedagogia enxadrística moderna.