Roque
Uma única jogada na qual o rei se move duas casas em direção a uma torre e essa torre se move para a casa que o rei cruzou — legal apenas quando nenhuma das peças se moveu antes, as casas entre elas estão vazias e o rei não está, não passa por, nem termina em uma casa atacada por peça inimiga.
O roque é a única jogada do xadrez em que um jogador move duas de suas próprias peças no mesmo turno. Existe para permitir que o rei alcance uma posição defensiva atrás de uma muralha de peões no início da partida sem gastar as quatro ou cinco jogadas que a manobra exigiria de outro modo, e é essencial em quase todas as aberturas jogadas hoje no topo. A mecânica é simples; as condições sob as quais é legal são restritivas o suficiente para que os jogadores que tentam rocar sem verificar essas condições descubram, no meio da jogada, que não podem.
Os dois roques
O roque tem duas formas.
Roque curto (lado do rei): O rei se move duas casas em direção à torre do flanco do rei (de e1 a g1 para brancas, e8 a g8 para pretas), e a torre salta sobre o rei até a casa imediatamente do outro lado do rei (f1 ou f8). Notação: O-O.
Roque longo (lado da dama): O rei se move duas casas em direção à torre do flanco da dama (de e1 a c1 para brancas, e8 a c8 para pretas), e a torre salta sobre o rei até a casa do outro lado do rei (d1 ou d8). Notação: O-O-O.
O rei sempre se move duas casas; a torre sempre termina imediatamente do outro lado do rei. As duas formas diferem apenas em qual torre se utiliza.
As condições de legalidade
O roque só é legal quando todas as condições seguintes são verdadeiras:
Nem o rei nem a torre envolvida se moveram antes. Se o rei alguma vez se moveu — mesmo uma casa, mesmo só para sair de um xeque e voltar — o roque deixa de ser permitido para o resto da partida em ambos os lados. Se uma determinada torre se moveu, o roque do lado dessa torre não é mais permitido, mas o roque do outro lado pode ainda estar disponível se a outra torre não se moveu.
As casas entre o rei e a torre estão vazias. Para o roque curto, as casas f1/f8 e g1/g8 devem estar vazias. Para o roque longo, as casas b1/b8, c1/c8 e d1/d8 devem estar vazias.
O rei não está em xeque. Se o rei está sendo atacado por uma peça inimiga, o roque não é legal.
O rei não passa por casa atacada por peça inimiga. O rei atravessa uma casa intermediária em sua viagem de duas casas; se essa casa estiver atacada, o roque não é legal mesmo que a casa de partida e a de chegada do rei sejam seguras.
O rei não termina em casa atacada por peça inimiga. A casa de chegada do rei também deve ser segura.
A confusão mais comum é sobre a terceira e a quarta condições: o roque está proibido se o trajeto do rei envolve uma casa atacada, mesmo que o trajeto da torre cruze casas atacadas. A torre, ao contrário do rei, pode passar por casas atacadas sem restrição; só o rei é restrito.
Permissões e proibições da torre
A torre pode passar por casas atacadas por peças inimigas. Isso contrasta com o rei. No roque longo, a torre cruza três casas — b1/b8, c1/c8, d1/d8 — e qualquer uma dessas estar sob ataque não afeta a legalidade da jogada. Apenas o trajeto do rei importa.
Se a torre do roque longo está sendo atacada na sua casa inicial, o roque ainda é legal (a torre se afasta do ataque como parte da jogada).
Importância prática
Na maioria das aberturas, em qualquer nível de xadrez, ambos os jogadores rocam nas primeiras dez a quinze jogadas. As razões são posicionais: o rei está mais seguro atrás de uma muralha de três ou quatro peões na ala do que no centro, onde os rebentos de peões e os ataques de peças são constantes. A escolha entre roque curto e roque longo é uma das questões estratégicas centrais da abertura, e muitas aberturas (a Najdorf siciliana, a Defesa Índia do Rei, a Eslava) envolvem cálculos que dependem de para que lado cada jogador vai rocar.
Roques opostos — um jogador curto, outro longo — produzem os meio-jogos mais agudos do xadrez. Cada jogador ataca a ala onde o adversário rocou. A Najdorf siciliana, o Ataque Iugoslavo contra o Dragão e a Sämisch da Índia do Rei são as aberturas clássicas de roques opostos; são consideradas as partidas mais agressivas que o xadrez produz.
Casos-limite
Posso rocar saindo de xeque? Não. O rei não pode estar em xeque no início do roque.
Posso rocar passando por xeque? Não. O rei não pode passar por casa atacada.
Posso rocar para dentro de xeque? Não. O rei não pode terminar em casa atacada.
Posso rocar se minha torre está sendo atacada? Sim. A segurança da torre não faz parte do teste de legalidade; só o rei importa.
Posso rocar longo se a casa b está atacada? Sim — no roque longo, o trajeto do rei vai de e a c, portanto a casa b não está no caminho do rei. O estado da casa b não afeta a legalidade.
Posso rocar se for a primeira jogada da torre mas o rei se moveu antes? Não. Se o rei se moveu em qualquer momento, ambos os lados do roque ficam permanentemente desabilitados.
A regra não mudou de modo substantivo desde a codificação moderna do xadrez no século XVII. Está registrada nas Leis do Xadrez da FIDE como Artigo 3.8 e é, por consenso geral, a regra estratégica mais importante na fase de abertura.