A Partida da Ópera
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No fim de outubro de 1858, Paul Morphy estava em Paris, numa parada breve de sua turnê europeia. Foi ao Théâtre des Italiens assistir a O Barbeiro de Sevilha. O Duque de Brunswick e o Conde Isouard, seus anfitriões no camarote, propuseram uma partida entre os atos. Morphy jogou e venceu o que é hoje a partida didática mais famosa da história do xadrez.
O que torna a partida eterna é sua economia. Morphy usa apenas três peças menores, a dama e dois lances de torre para construir um mate forçado em dezessete lances. Cada lance desenvolve. Cada lance ataca. A abertura é a Defesa Philidor — escolha passiva das pretas que põe o rei em perigo imediato — e Morphy a pune com uma sequência que vem sendo ensinada a todo estudante de xadrez há 165 anos.
O momento mais citado é o sacrifício de dama no lance 16: 16.Qb8+!! Nxb8 17.Rd8#. A dama atrai o único defensor (o cavalo de d7) para b8, deixando a torre de d1 com o caminho livre para o mate em d8.
O valor pedagógico
A partida de Morphy é usada em manuais de abertura há gerações porque cada lance pode ser justificado por princípios clássicos: desenvolver as peças, controlar o centro, atacar o rei. O Duque e o Conde não desenvolveram. Moveram peões. Obstruíram as próprias peças. Morphy fez o contrário, e a posição recompensou a diferença em dezessete lances.
Os motores modernos confirmam o que todo manual do século XIX ensinava: a posição das pretas está perdida depois do lance 9, e a combinação de Morphy é correta até o mate final. A partida é curta, os lances são intuitivos e a lição é permanente.