Bispo Bom e Bispo Mau
Um bispo cujos peões não bloqueiam suas diagonais — 'bom'; um bispo preso pelos próprios peões — 'mau'.
Um bispo bom é aquele cujos peões centrais estão em casas da cor oposta, deixando as diagonais abertas para movimento. Um bispo mau está preso pelos próprios peões em casas de sua cor — sua mobilidade é limitada. Esta distinção é uma das mais antigas na teoria posicional, formalizada por Steinitz.
A Defesa Francesa é o exemplo de manual. Os peões pretos em e6 e d5 (e muitas vezes f7) ficam em casas claras; o bispo de casas claras das pretas, em c8, é portanto mau. Ele fica preso atrás dos próprios peões, não tem diagonal útil e precisa gastar muitos lances tentando achar uma casa ativa — ou ser trocado. O meio-jogo da Francesa gira em boa medida em torno de saber se o bispo mau pode ser salvo ou se as pretas aceitam conviver com ele até o fim da partida.
O mesmo princípio vale ao contrário. Um bispo numa grande diagonal aberta, com os próprios peões na cor oposta, está entre as peças mais fortes do xadrez. O bispo em g2 de muitos sistemas com fianqueto é um exemplo extremo de bispo bom.
O bispo mau não está necessariamente condenado: pode ser ativado por uma ruptura de peões que abra sua diagonal, ou trocado por uma peça inimiga de valor comparável. Bispos maus que sobrevivem ao meio-jogo podem virar um trunfo no final, onde suas qualidades defensivas pesam mais do que a mobilidade.
Mas os rótulos enganam. Um bispo mau pode ser um excelente defensor, guardando peões fracos. Um bispo bom pode ser inútil se suas diagonais estiverem bloqueadas por peões inimigos. O mais importante não é o rótulo, mas a atividade.