Peão Passado
Um peão sem peões inimigos em seu caminho para a promoção — o peão mais perigoso do tabuleiro, especialmente no final.
Um peão passado é um peão que não tem peões inimigos em sua coluna nem nas adjacentes. Nenhum peão inimigo pode bloqueá-lo ou capturá-lo. No final, um peão passado é uma bomba-relógio: cada avanço o aproxima da casa de promoção, e o oponente é forçado a desviar peças para bloqueá-lo ou eliminá-lo — e peças podem ser trocadas ou expulsas. É a característica estrutural mais valiosa do final, e no meio-jogo a simples ameaça de criar um às vezes já decide a posição.
Nimzowitsch chamava o peão passado de “criminoso perigoso que deve ser mantido sob custódia”. Peões passados costumam ser avaliados por dois critérios: se estão protegidos e a que distância estão da promoção. Um peão passado defendido por outro peão é quase sempre forte, porque não se perde só por ser atacado. Um peão passado distante é a vantagem clássica no final: desvia o rei inimigo enquanto seu rei devasta o outro flanco. E um peão passado na sétima fileira é tão forte que entregar uma torre para detê-lo é, às vezes, a única defesa prática.
O conselho clássico — peão passado tem de ser empurrado — conta metade da verdade. Um peão passado que não avança é um ativo estático: o oponente o bloqueia e o ignora. Um peão que avança obriga o oponente a responder, prende suas peças à defesa e drena aos poucos seus recursos. A outra metade da verdade é que empurrar cedo demais pode custar o peão; o momento importa tanto quanto o princípio.
O bloqueio é a defesa clássica contra o peão passado. Um cavalo plantado diretamente à frente do peão, apoiado por outras peças, neutraliza a ameaça por completo. O peão bloqueado deixa de ser arma e vira alvo, e muitos finais se decidem por saber se o lado com o peão passado consegue romper o bloqueio.