Pentala Harikrishna tornou-se o segundo grande mestre indiano em 2001, quinze anos depois de Viswanathan Anand conquistar o título e duas décadas antes da geração indiana atual chegar ao topo mundial. Durante a maior parte desses vinte anos foi o número dois do país — um profissional que ancorou o xadrez indiano durante a longa brecha estrutural entre Anand e a onda que produziu Gukesh, Praggnanandhaa e Arjun Erigaisi.
Trajetória inicial
Nascido em Guntur, em Andhra Pradesh, em maio de 1986, Harikrishna recebeu sua primeira formação formal na academia de xadrez da Associação Olímpica Indiana aos oito anos. Venceu o Mundial Sub-10 em 1996 e um título nacional Sub-17 aos doze. O título de MI veio em 2000, o de GM em setembro de 2001 aos quinze anos e dois meses — então o terceiro GM mais jovem da história. O salto definitivo veio em 2004 com a vitória no Mundial Juvenil de Cochim, um resultado que o confirmou como o sucessor mais plausível de Anand.
Estilo
Seu estilo é universal no sentido mais antigo da escola soviética: sólido na defesa, técnico em finais, com preparação de abertura ampla que evita as disputas teóricas mais afiadas. Com pretas se apoia na Petroff e na Eslava; com brancas joga um repertório flexível de 1.d4 com o Catalão como arma principal. Sua porcentagem de vitórias com pretas ao longo da carreira é mais alta que a habitual para jogadores de elite — um traço da sua técnica de finais, que converteu pequenas vantagens posicionais em vitórias contra a maior parte do top 50 mundial em algum momento da carreira.
Anos de pico e depois
Harikrishna atingiu o pico de rating de 2770 em outubro de 2016 após resultados sólidos no Bilbao Masters e em Wijk aan Zee, entrando brevemente no top dez mundial. Passou a maior parte dos anos 2010 no top vinte e jogou um calendário completo de torneios de elite até 2018. Representou a Índia em todas as Olimpíadas de 2002 a 2024 — doze ciclos consecutivos — e foi capitão da seleção que ganhou a medalha de ouro em Budapeste 2024.
Presente
Mora em Praga desde 2013, em que joga na liga tcheca (atualmente pelo ŠK Pardubice) e treina numa academia privada. Sua atividade atual é menor do que nos anos de pico — típico para jogadores de elite passados dos quarenta —, mas continua ativo no circuito europeu por equipes, comenta para a Chess.com os principais eventos indianos e mantém papel no aparato de formação da All India Chess Federation para jogadores mais jovens. É amplamente creditado no cenário indiano por ter mentoreado pelo menos três do atual top dez indiano nos seus anos juvenis.